segunda-feira, 9 de novembro de 2015

♀ Curar Feridas


É complicado curar feridas. Voltar a confiar, voltar a ter esperança, voltar a pensar que não vão falhar connosco. Mas sempre tentei fazê-lo. Dar o benefício da dúvida. Pensar "hoje falhou, mas aprendeu com isso". O problema é quando, afinal, não aprendeu. E repete, e repete, e repete. E eu quero não ligar, quero não ficar magoada... e nunca consigo. Porque dói, porque magoa. Porque a esperança vai diminuindo até ao dia em que fica completamente nula. Porque chega uma altura em que já se espera que a pessoa falhe, e até ficamos admirados quando tal não acontece. Porque há coisas que só se concertam aos poucos. Com palavras, sim, mas também com atos. Com tudo. Porque, mesmo parecendo bem, as lágrimas estão cá. As dores estão cá, e voltam acima a cada pequena coisa má que acontece. E depois eu sou injusta, porque fico de rastos por coisas pequenas. O que os de fora não sabem (leia-se, todos além de mim) é que um coração que já está magoado, acaba por aguentar menos. E uma pessoa não controla isso. Não podemos pensar "cura essa ferida" e pronto, sarou. Não. E quando a ferida é aberta constantemente, o efeito oposto acontece. A ferida não só não sara, como ainda vai abrindo mais, aos poucos. Até este ponto... o ponto em que fico perdida, desorientada, sem saber mais o que fazer ou dizer. E depois as palavras falham e as lágrimas atropelam-se. Como para escrever isto, que acho que nem eu vou perceber se me atrever a relê-lo. Porque, num coração magoado, as cicatrizes só começam a ficar quase invisíveis quando são cuidadas com amor, carinho, compreensão, paciência e, acima de tudo, quando não há atos constantes a abrir as feridas.

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